Morte de atriz de 39 anos reacende alerta sobre câncer de intestino; Renata Abreu pede agilidade na tramitação de seu projeto

Proposta da deputada incentiva pesquisas, diagnóstico precoce e campanhas de prevenção; levantamento aponta 8.466 mortes por câncer de cólon entre pessoas com menos de 50 anos.
A deputada federal Renata Abreu (SP) vai pedir agilidade na tramitação de seu projeto de lei que incentiva pesquisas científicas, diagnóstico precoce e campanhas de prevenção do câncer. A morte da atriz Lua Blanco, de apenas 39 anos, vítima de câncer de intestino, chamou a atenção para uma doença cada vez mais diagnosticada em brasileiros mais jovens, embora seja mais frequente acima dos 50 anos.
Entre 2020 e 2025, o câncer de cólon matou 8.466 brasileiros com menos de 50 anos, dos quais 2.579 tinham menos de 40, segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO). Os números representam aproximadamente 9,5% das mortes pela doença no período, conforme registros do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM), do Ministério da Saúde.
A morte de Lua Blanco também chama a atenção pelo pouco tempo entre o diagnóstico e o falecimento. Conhecida por interpretar Roberta na novela Rebelde, a atriz descobriu o câncer de intestino em estágio avançado cerca de dois a três meses antes de morrer. Passou por sessões de quimioterapia e por uma cirurgia no Instituto Nacional de Câncer (INCA), no Rio de Janeiro.
A preocupação com o avanço da doença entre os mais jovens já havia sido apontada por uma pesquisa da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), em parceria com o A.C. Camargo Câncer Center. O estudo, que analisou cerca de 127 mil casos brasileiros, identificou aumento progressivo do risco de câncer colorretal entre gerações nascidas a partir de meados da década de 1960.
Outro dado da SBCO reforça a dimensão do problema: entre 2020 e 2023, foram registrados 7.982 diagnósticos de câncer de cólon em pessoas com menos de 50 anos. Desse total, 2.767 ocorreram antes dos 40 anos. Os números são de hospitais participantes do Registro Hospitalar de Câncer (RHC) e não representam a totalidade dos casos diagnosticados no país.
PESQUISAS E CAMPANHAS DE PREVENÇÃO
Por que o câncer de intestino está atingindo pessoas cada vez mais jovens? Quais fatores contribuem para o desenvolvimento da doença? Como identificá-la antes que avance?
A busca por essas respostas está entre os objetivos do Projeto de Lei 372/2025, de Renata Abreu. A proposta cria o Programa Nacional de Pesquisa e Prevenção do Câncer (PNPPC), destinado a incentivar estudos sobre as causas da doença, desenvolver novas tecnologias para diagnóstico e tratamento e ampliar campanhas de prevenção e conscientização.
O texto não se restringe ao câncer de intestino. Abrange diferentes tipos da doença e prevê incentivos fiscais para empresas que financiem pesquisas científicas, bolsas de estudo e parcerias entre instituições públicas e privadas.
A proposta está na Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados, onde recebeu parecer favorável da relatora, deputada Silvia Cristina (PP-RO), com apresentação de substitutivo.
SINTOMAS EM QUALQUER IDADE
O câncer colorretal, que atinge o cólon e o reto, está entre os tipos mais frequentes no Brasil. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país deverá registrar 53.810 novos casos por ano entre 2026 e 2028.
A doença pode evoluir silenciosamente, sem apresentar sintomas nas fases iniciais. Sangue nas fezes, alterações persistentes no funcionamento do intestino, dores abdominais, anemia sem causa aparente e perda de peso involuntária estão entre os sinais que exigem investigação médica.
Embora o câncer colorretal seja mais comum após os 50 anos, sintomas suspeitos precisam ser avaliados independentemente da idade.
“Não podemos aceitar que tantas pessoas, inclusive jovens, descubram um câncer quando a doença já está avançada. Precisamos investir em pesquisas para entender melhor suas causas, ampliar a prevenção e desenvolver formas de diagnóstico cada vez mais eficazes. Nosso projeto trata justamente disso, e queremos que ele avance com urgência na Câmara”, afirma Renata Abreu.
Texto – Lola Nicolás / Foto – Robert Alves
Assessoria Deputada Federal Renata Abreu
Filiar é construir o Brasil que a gente acredita.
Faça parte do movimento que aposta na renovação política, na ética e na participação cidadã.
20falar
Notícias, agenda e bastidores no seu e-mail toda semana.

