
Deputada Renata Abreu alerta famílias para que não façam PIX e cobra rapidez na identificação dos golpistas
Criado para ampliar a proteção de crianças e adolescentes no ambiente virtual, o ECA Digital enfrenta, apenas seis meses depois de entrar em vigor, uma preocupante realidade: criminosos já estão usando o nome da própria legislação para tentar extorquir pais e responsáveis.
Levantamento realizado pela Certta e pela Nexus–Pesquisa e Inteligência de Dados identificaram relatos do chamado ‘Golpe da Multa do ECA Digital’. Os criminosos enviam notificações falsas aos responsáveis, alegando supostas irregularidades na exposição dos filhos na internet, e exigem o pagamento urgente de uma multa via PIX, sob ameaça de processo.
A pesquisa analisou conteúdos publicados entre janeiro e julho de 2026 no X, Facebook, Instagram e Reddit e identificou cerca de mil menções espontâneas relacionadas a menores de idade e ao ECA Digital. Em seu levantamento mais amplo sobre segurança digital, foram analisadas mais de 60 mil menções, que somaram 44 milhões de interações.
Para a deputada federal Renata Abreu (SP), chama atenção a rapidez com que criminosos conseguem se apropriar até mesmo de uma legislação recém-criada para proteger crianças e adolescentes para desenvolver novas formas de fraude.
“É assustadora a velocidade com que o crime se adapta. Precisamos ter a mesma rapidez para localizar quem está por trás desses golpes e responsabilizar os criminosos”, afirma Renata.
O levantamento mostra que a estratégia dos golpistas é explorar o medo dos responsáveis. Eles acusam as famílias de supostas irregularidades relacionadas à exposição dos filhos e pressionam pelo pagamento imediato para evitar consequências judiciais.
“PAIS, NÃO SE DESESPEREM”
Renata alerta os pais para que não façam qualquer transferência diante desse tipo de abordagem e verifiquem a origem da comunicação antes de fornecer informações ou realizar pagamentos.
“Pais, não se desesperem diante de uma mensagem que fale em multa ou processo e não façam PIX por medo. Desconfiem de cobranças urgentes, não forneçam informações e procurem os canais oficiais. É justamente o medo de que alguma coisa aconteça com nossos filhos que esses criminosos tentam explorar.”
O estudo da Certta e da Nexus chama atenção ainda para o chamado sharenting, a exposição excessiva de fotos, rotina e informações dos filhos pelos próprios pais nas redes sociais. Dados aparentemente simples, como nome da criança, escola onde estuda, locais que frequenta e nomes de parentes, podem ajudar criminosos a construir perfis e abordagens mais convincentes para enganar as famílias.
PROTEÇÃO PRECISA AUMENTAR
A preocupação de Renata Abreu com crimes contra crianças e adolescentes no ambiente virtual antecede a entrada em vigor do ECA Digital.
A parlamentar é autora do PL 1891/2023, que trata do estupro virtual e do estupro virtual de vulnerável. A proposta busca garantir a aplicação das penas também quando a violência sexual é praticada à distância, por meios digitais, como sites e aplicativos.
O aparecimento de novas modalidades de crime mostra que não basta atualizar a legislação. “Não podemos aceitar que o criminoso esteja sempre um passo à frente. Se o crime chegou ao celular e às redes sociais, nossa capacidade de investigar, localizar e punir também precisa chegar — e rápido. Quando há crianças e adolescentes envolvidos, essa resposta é ainda mais urgente”, afirma a deputada federal Renata Abreu.
Texto – Lola Nicolás
Foto – Robert Alves
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