
Projeto autoriza reconhecimento facial em locais públicos com proteção de dados e respeito às garantias individuais
A segurança
pública está entre as maiores preocupações dos brasileiros, especialmente nos
grandes centros urbanos. Quem sai de casa para trabalhar, utiliza ônibus, metrô
ou trem e circula diariamente pelas ruas tem o direito de fazer isso com mais
tranquilidade. E o poder público precisa utilizar, com responsabilidade, todas
as ferramentas disponíveis para proteger a população.
Nesta
quarta-feira, a Câmara dos Deputados concluiu a aprovação do projeto de lei
1.828/2023, de minha autoria, que autoriza o uso de sistemas de reconhecimento
facial em locais públicos e meios de transporte. Com a aprovação da redação
final, a proposta segue agora para análise do Senado Federal.
O projeto
permite a utilização dessa tecnologia em estações ferroviárias, rodoviárias e
de metrô, no interior de vagões, em vias públicas e repartições públicas. São
locais por onde milhões de brasileiros circulam diariamente e nos quais a
rapidez na identificação de uma pessoa procurada ou na obtenção de informações
sobre um crime pode fazer diferença para o trabalho das forças de segurança.
Os números
mostram a dimensão do desafio. Dados do mais recente Anuário Brasileiro de
Segurança Pública apontam que o país registrou mais de 792 mil roubos e furtos
de celulares em 2025, o equivalente a mais de 2 mil ocorrências por dia. Entre
as 20 cidades brasileiras com as maiores taxas desse tipo de crime, 14 são
capitais.
São Paulo é
um exemplo da pressão que a criminalidade exerce sobre as grandes cidades.
Foram cerca de 1.390 roubos e furtos de celulares para cada 100 mil habitantes.
São crimes que afetam diretamente a rotina da população e alimentam uma
sensação de insegurança que não pode ser normalizada.
É nesse
cenário que precisamos colocar a tecnologia a serviço da segurança pública.
O
reconhecimento facial não substitui o policial, a investigação nem o trabalho
de inteligência. É uma ferramenta adicional capaz de ampliar a capacidade do
Estado de identificar pessoas procuradas pela Justiça, auxiliar investigações e
tornar mais rápida a resposta das autoridades.
A tecnologia
já faz parte da vida dos brasileiros e também é utilizada pelo crime. A
segurança pública não pode permanecer presa às ferramentas do passado enquanto
criminosos encontram novas maneiras de agir e dificultar sua identificação.
Mas
modernizar a segurança não significa defender vigilância sem limites.
Uma
tecnologia tão poderosa precisa ser utilizada com responsabilidade,
transparência, proteção dos dados pessoais e respeito aos direitos e às
garantias individuais. Segurança e liberdade não precisam estar em lados
opostos. O desafio é justamente construir regras que permitam utilizar os
benefícios da inovação sem abrir espaço para abusos.
Como autor
dessa proposta e líder do Podemos na Câmara dos Deputados, acredito que
enfrentar a criminalidade exige investimento nos nossos profissionais,
inteligência, integração de informações e incorporação responsável de novas
tecnologias.
A aprovação
do projeto de lei 1.828/2023 pela Câmara representa um passo importante nessa
direção. Agora, vamos trabalhar para que o Senado avance na análise da proposta
e o Brasil possa contar com mais uma ferramenta para construir uma segurança
pública moderna, eficiente e responsável.
Foto: Sérgio Barba - Liderança do Podemos
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