Projeto de lei prevê prisão para quem promover “desafios” perigosos em propagandas

Proposta busca coibir campanhas publicitárias que estimulem práticas capazes de colocar em risco a saúde e a integridade física dos participantes
O deputado federal Gilberto Nascimento (SP) é autor do Projeto de Lei 2114/2024, que prevê punição para a promoção de campanhas publicitárias que estimulem o público a colocar a saúde ou a integridade física em risco em troca de prêmios, vantagens ou divulgação.
A proposta altera o Código de Defesa do Consumidor e estabelece pena de
dois a quatro anos de reclusão, além de multa, para quem criar ou promover
publicidade capaz de induzir o consumidor a adotar comportamentos prejudiciais
ou perigosos à saúde ou à segurança.
Entre as situações previstas no texto estão desafios que incentivem o
consumo excessivo de alimentos em curto período de tempo, provas que envolvam a
privação de necessidades fisiológicas e outras ações publicitárias que coloquem
em risco a integridade física dos participantes.
Marketing sem limites
Na justificativa da proposta, Gilberto Nascimento alerta para estratégias
utilizadas por estabelecimentos e marcas que recorrem a desafios para ganhar
repercussão nas redes sociais e atrair consumidores, mesmo quando as atividades
podem representar riscos à saúde.
O projeto menciona, entre os casos que ganharam repercussão
internacional, o concurso “Hold Your Wee for a Wii”, promovido em 2007 por uma
rádio nos Estados Unidos. Uma mulher de 28 anos morreu após participar da
competição, que envolvia a ingestão de grandes quantidades de água sem poder
urinar.
Para Gilberto Nascimento, a busca por visibilidade comercial não pode se
sobrepor à proteção da vida e da saúde dos consumidores. A proposta busca
estabelecer limites mais claros para campanhas publicitárias que utilizem
práticas potencialmente perigosas como estratégia de promoção.
Tramitação
O PL 2114/2024 está pronto para pauta na Comissão de Defesa do Consumidor
(CDC). O relator, deputado Márcio Marinho (Republicanos-BA), apresentou parecer
pela aprovação, com substitutivo. A proposta também deverá ser analisada pela
Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) e, conforme o despacho
da Câmara, está sujeita à apreciação do Plenário.
Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados
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