“É inaceitável. O racismo no futebol é uma chaga que precisa ser combatida com firmeza e punições exemplares. É hora de darmos um basta. O que o Luighi sofreu demonstra que o preconceito é uma chaga que envergonha o mundo”, afirmou o deputado Fabio Macedo (MA), autor do projeto que estabelece o aumento da pena para o crime de injúria racial praticado em eventos esportivos, religiosos e culturais, como já ocorre no crime de racismo. A proposta está no PL 2739/2023.
O caso aconteceu no jogo entre Palmeiras e Cerro Porteño, pela Conmebol, no dia 6 de março, quando o jogador brasileiro, Luighi, 18 anos, sofreu racismo por parte de torcedores do clube paraguaio. Imagens da transmissão exibiram, para quem quisesse ver, que torcedores imitavam “um macaco” em direção ao atleta que, diante da cena, deixou o campo aos prantos. A caminho do banco de reservas, Luighi também sofreu humilhação: uma cusparada vinda da arquibancada.
O triste episódio entrou para a longa lista de casos de racismo ocorridos em competições esportivas. Em 2024, o Observatório da Discriminação Racial no Futebol registrou 20 casos em partidas oficiais.
O deputado Fabio Macedo lembra que, em 2023, a Lei do Racismo foi atualizada e equiparou o crime de injúria racial ao de racismo, mas com penalidade menor. Dessa forma, a proposta pretende definir para os casos de injúria racial os mesmos agravantes do crime de racismo, com pena de reclusão de 3 a 7 anos. “Não podemos normalizar o racismo ou a injúria racial dentro ou fora dos estádios. Não é sobre “provocação” ou “parte do jogo”. Isso é crime! E precisa ser tratado com seriedade e punição exemplar pelas autoridades competentes”, afirmou Fabio.
O projeto está em tramitação na Câmara dos Deputados e aguarda definição do relator na Comissão de Direitos Humanos.
Punição
Palmeiras e CBF cobraram da Confederação Sul-Americana um castigo exemplar, que acabou ficando em multa de US$ 50 mil dólares aplicada ao clube paraguaio, valor bem inferior, por exemplo, no caso de punição ao torcedor que acender um rojão no estádio, que é de US$ 70 mil. O episódio expõe uma latente tolerância a ofensas deste tipo e que não pesam no bolso dos clubes.
Foto: Sérgio Barba – Liderança do Podemos na Câmara