Em entrevista ao DCI, presidenciável Alvaro Dias defende refundar Estado

Lola Nicolás
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Em visita à redação do DCI, o senador Alvaro Dias, presidenciável pelo Podemos, afirmou que é preciso “refundar a República” para atender às demandas por melhorias da população. O pré-candidato à presidência da República tem visitado várias cidades, na companhia da deputada federal Renata Abreu (SP), presidente nacional do partido, para apresentar suas ideias e propostas para o Brasil.

Acompanhe abaixo a entrevista que Alvaro Dias deu ao jornalista Diego Felix, do DCI:

O senador paranaense colocou como sua principal bandeira política na eleição as “reformas essenciais” da qual o Brasil precisa, sendo a refundação do Estado como a primeira. “Se não alterarmos esse sistema de governança, não temos chances de resolver outras questões essenciais que permitam o País alcançar índices de crescimento compatíveis com a sua grandeza”, afirmou o parlamentar.

Seu plano será, nos 100 primeiros dias de governo, alterar e “reduzir estruturas”, enxugando ministérios, secretarias, departamentos, coordenadorias, cargos comissionados e privatizar estatais. Assim, diz, será possível eliminar “penduricalhos, que causam indignação”.

Outro passo, mais ousado, é minar o Congresso, começando pela Câmara dos Deputados. O plano é a redução de 20% da estrutura do legislativo federal, “reestabelecendo a proporcionalidade correta”, onde a representação parlamentar será definida por numero de habitantes de cada unidade da Federação.

“Há uma distorção grande. Enquanto em Roraima um parlamentar representa 50 mil habitantes, o parlamentar de São Paulo representa 600 mil. A bancada de São Paulo seria o teto e trabalharíamos em baixo a redução.” No Senado, a proposta será acabar com 1/3 das cadeiras, e deixar dois nomes por estado.

“Isso tem que ocorrer em 100 dias, porque é o período em que o governo tem credibilidade, apoio popular e ainda não se desgastou. É o momento de promover as reformas.”

Condução política

Essa reforma, avalia, não contempla rever o sistema de governo. Apostando na caneta presidencial para articular seus desejos, comentou que um modelo parlamentarista, com 35 partidos disputando o mesmo espaço, “é sepultar” o formato “precocemente”. Nesse sentido, a reforma política serviria para reduzir os partidos representados no Legislativo, a partir de uma cláusula de barreira “mais vigorosa”.

Um dos temas que terá efeito maior na campanha de um modo geral será a remodelação da Previdência. Dias avalia que o esquema proposto pelo governo Michel Temer é insuficiente e que é preciso uma reforma “que atenda a complexidade do País”.

Político com menor rejeição entre os avaliados em pesquisas eleitorais, com 17%, o senador usará deste item para aumentar seus 4% de intenção de votos. Bem avaliado na região Sul do País, onde conta com 20% das intenções de voto, Dias acredita que a tarefa será difícil, mas com a campanha nas ruas, o jogo possa ser favorável ao Podemos.